Dicionário de gírias para pais: farmar aura, six seven e o resto do idioma novo
Última atualização: 26 de julho de 2026
Meu filho tem 3 anos, então aqui em casa o vocabulário ainda é "au au" e "quero água". Mas nos parquinhos, nas festas e nas conversas com pais de crianças maiores, o idioma já é outro: farmar aura, six seven, skibidi. Fui atrás do que cada coisa significa — e deixo aqui o dicionário que eu gostaria de ter encontrado pronto, sem julgamento e em português claro.
Farmar aura
É juntar "pontos" de estilo e carisma. "Farmar" vem dos videogames (repetir uma ação para acumular recurso) e "aura" é a presença que a pessoa transmite. Quem faz algo impressionante com naturalidade "ganha aura"; quem paga mico "perde aura" — e a criançada anuncia o placar: "menos mil de aura". Virou até campeonato presencial no Brasil, com jovens disputando poses, danças e improvisos em praça pública.
Six seven (6 7)
Nada — e essa é exatamente a graça. "Six seven" (também escrito 6 7 ou 67) veio de um trecho de música que viralizou no TikTok e virou piada do universo brainrot: as crianças soltam "six seven" do nada, geralmente com um gesto de mãos subindo e descendo como uma balança, e quem é do meio entende e responde rindo. Não tem significado oficial; é senha de pertencimento.
Brainrot
Literalmente "apodrecimento cerebral". É o nome — assumido com autoironia — dos conteúdos absurdos, repetitivos e propositalmente sem lógica que viralizam nas redes: vídeos aleatórios, personagens bizarros, frases sem sentido repetidas à exaustão. Skibidi, six seven e o brainrot italiano fazem parte desse pacote.
Brainrot italiano (Tung Tung Tung Sahur)
É uma família de personagens gerados por inteligência artificial com nomes pseudo-italianos: Tung Tung Tung Sahur (um tronco de madeira com taco de beisebol), Tralalero Tralala (tubarão de tênis), Bombardiro Crocodilo, Ballerina Cappuccina, Cappuccino Assassino e afins. São absurdos de propósito, e as crianças decoram nome, "história" e hierarquia de todos como se fosse um bestiário.
Skibidi
Vem da série animada "Skibidi Toilet", do YouTube, em que cabeças saem de privadas cantando. A palavra não tem tradução: é usada para descrever algo tão absurdo ou aleatório que vira engraçado ("que coisa skibidi"). Foi uma das primeiras gírias da geração alpha a assustar os pais, e hoje já é quase "clássica".
Labubu
Não é gíria, é brinquedo — o monstrinho peludo de sorriso serrilhado da Pop Mart que virou febre mundial. Vendido em caixa surpresa (blind box: você só descobre qual veio ao abrir), pendurado em mochila e bolsa como amuleto de estilo. Entre os mais velhos, ter um Labubu raro é jeito clássico de farmar aura.
Rizz
Encurtamento de "charisma" em inglês. Ter rizz é ter lábia, saber conquistar alguém na conversa. "Rizzar" é usar esse charme. É elogio: quem tem rizz, tem aura.
Sigma
O "lobo solitário" admirável: alguém independente, confiante, que não segue o rebanho. Usado tanto a sério ("ele é sigma") quanto na ironia total, ao lado de brainrot e mewing. Se o seu filho fizer uma cara séria e apontar o queixo, é essa a referência.
NPC
NPC é o personagem não jogável dos videogames — aquele que só repete falas prontas. Chamar alguém de NPC é dizer que a pessoa age no piloto automático, sem personalidade própria. É zoeira comum entre eles; vindo de um adulto, soa ofensa mesmo.
Delulu
De "delusional": alguém que acredita numa fantasia por pura força de vontade — "ela acha que o ídolo vai namorar com ela, tá delulu". Costuma vir com o lema "delulu is the solulu" (a ilusão é a solução), quase sempre em tom de piada.
Cringe
Vergonha alheia. Algo cringe é constrangedor de assistir — e, por decreto das crianças, quase tudo que os pais fazem se encaixa. Dancinha de adulto no TikTok é o exemplo canônico.
Flopar
Fracassar, não dar audiência. Vem de "flop". O vídeo que ninguém assistiu flopou; a festa vazia flopou. O contrário é bombar — ou, no vocabulário atual, "lançar a braba".
Lançou a braba
Fez algo impressionante, acima do esperado: a jogada bonita, o presente certeiro, o tênis novo. "O pai lançou a braba no aniversário" é o elogio máximo que um presente pode receber — anota essa meta.
Calabreso
Apelido de zoeira popularizado por um meme brasileiro (a bronca do "aqui é o seguinte, calabreso"). Virou vocativo genérico entre amigos, num tom entre a bronca e o carinho — o sucessor espiritual do "meu consagrado".
Mewing
Técnica (sem comprovação científica) de posicionar a língua no céu da boca para "definir o maxilar". Nas escolas virou gesto: o dedo sobre os lábios seguido de um contorno no queixo significa "não posso falar, estou fazendo mewing". Faz parte do pacote sigma, quase sempre como piada.
Hype
A empolgação coletiva em torno de algo prestes a sair ou na moda — "esse brinquedo tá no hype". Quem está "hypado" está ansioso pela novidade. É o termômetro que decide o que chega na lista de presentes.
E o que isso tem a ver com brinquedo?
Tudo: essas gírias são o termômetro do que as crianças acham incrível — e o presente que acerta o hype é o que "lança a braba". Se você chegou aqui pesquisando uma gíria e tem criança pequena em casa, aproveita: eu testo brinquedos com meu filho e conto o que durou e o que flopou.
Ver os brinquedos testados e aprovados → Ver os compre junto →
Gíria tem prazo de validade curto: quando uma expressão nova dominar os recreios, esta página será atualizada. Sentiu falta de algum termo? Escreva para [email protected].